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23/11/2016 - Câncer Infantil: Pequenos sinais podem salvar vidas

 

As últimas quatro décadas são marcadas pelo progresso no desenvolvimento do tratamento do câncer infantil. Estima-se que cerca de 70% das crianças acometidas de câncer podem ser curadas, se diagnosticadas precocemente e tratadas em centros especializados. Muitas são as conquistas obtidas pela equipe do Hospital Estadual da Criança, localizado no Rio de Janeiro, no tratamento de cerca de 200 pacientes. Submetidas a assistência no HEC, a maioria dessas crianças usufrui de boa qualidade de vida, após o tratamento.

 

- Para atingir possibilidades reais de cura do câncer infantil, é fundamental o diagnóstico precoce. Os pais devem estar alertas para o fato de que a criança não inventa sintomas. No entanto, na maioria das vezes, os sintomas estão relacionados a doenças comuns na infância, o que não deve ser motivo para descartar a visita ao pediatra para avaliação mais detalhada – ressalta Dra. Patrícia Moura, responsável pelo Serviço de Oncohematologia pediátrica do Hospital Estadual da Criança, administrado pelo Instituto D’Or de Gestão de Saúde Pública.

 

A manifestação do câncer infantil pode não diferir muito de doenças benignas (sem maior gravidade) comuns nessa faixa etária. Muitas vezes, a criança ou o jovem está em razoáveis condições de saúde no início da doença, e por isso, chegam aos centros especializados de tratamento com a doença em estágio avançado por diversos fatores: desinformação dos pais; medo do diagnóstico de câncer; desinformação dos médicos.

 

A causa da maioria dos casos de câncer pediátrico ainda é desconhecida, causando questionamentos e angústias nos pais. Alguns casos são resultado da predisposição genética – apenas 5% dos cânceres são herdados dos pais para filhos, mas ao contrário do que ocorre com os adultos, o câncer infantil não está associado a fatores como dieta, falta de exercícios físicos e, muito menos, ao uso de cigarro e álcool. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias, os do sistema nervoso central e linfomas.

 

- O conhecimento do pediatra para a desconfiança do câncer é determinante para um diagnóstico seguro e rápido. Partimos que o diagnóstico é feito a partir da história clínica suspeita e exame físico detalhado; exames laboratoriais como hemograma completo e exames bioquímicos; e exames de imagem de acordo com achados do exame físico e/ou da história clínica, que pode ser desde um raio x simples até exames mais elaborados como ressonância nuclear magnética – explica a oncohematologista.

 

O tratamento do câncer infantil é determinado com base no tipo e estadiamento da doença. As opções podem incluir quimioterapia, cirurgia, radioterapia e outros tipos de tratamento. Em muitos casos, é necessário apenas um destes tratamentos ou combinações deles. Cabe ressaltar que tratamento de crianças é diferente do tratamento de pacientes adultos, e o ideal é que a criança possa ser tratada em centros pediátricos, onde outras crianças também estejam recebendo tratamento. Também é muito importante que a família participe ativamente do tratamento da criança, dando segurança e confiança a mesma.

 

- O Hospital Estadual da Criança é concebido no conceito de multi especialidades para o tratamento dos pequenos pacientes. Além de uma equipe de especialistas altamente competentes, a assistência é oferecida com o complemento de ações humanizadas, lideradas por psicólogos, pedagogos, terapeutas ocupacionais, contando ainda com o apoio de voluntários. Tudo no intuito de fazer com que o tratamento e a estadia hospitalar sejam mais confortáveis para os pacientes e seus familiares, mantendo o foco na segurança do paciente – declara Dr. Lúcio Abreu, diretor de qualidade do hospital.

 

Odontologia associada ao tratamento oncológico – Entre a multidisciplinaridade do Hospital Estadual da Criança, se destaca o acompanhamento odontológico. Assim que iniciam o atendimento, os pacientes passam por avaliação com a equipe odontológica e inicia-se o tratamento para a adequação do meio bucal.

 

- O intuito é eliminar – ou minimizar – os focos propícios para infecção, que podem ser potencializados com a queda da imunidade. O atendimento odontológico é realizado nas crianças em tratamento oncológico, assim como em pacientes em tratamento hematológico, transplantes (pré e pós) e internados na Unidade de Terapia Intensiva – destaca a coordenadora do serviço de odontologia pediátrica do HEC, Mellina Cavalcanti.

 

Entre as pacientes que recebem atendimento oncológico associado ao tratamento odontológico está Gabriela da Silva, de 5 anos, que tem diagnóstico de leucemia. Devido à quimioterapia, Gabriela pode desenvolver a mucosite oral, uma inflamação na mucosa da boca e da garganta que pode levar a úlceras dolorosas e infecção. A paciente é submetida a sessões de laserterapia no intuito de prevenção e, caso necessário, no tratamento das lesões.

 

- Minha filha chegou ao hospital e logo se encantou pela equipe de dentistas. Antes tinha muita resistência na hora de escovar os dentes, hoje já procura fazer sozinha e permite que eu contribua para um resultado mais efetivo – contou Vânia da Silva, mãe da paciente que encontra-se em atendimento no HEC há três meses.

 

SOBRE A UNIDADE – O Hospital Estadual da Criança é a primeira unidade pública do Rio de Janeiro voltada para o atendimento pediátrico em casos de média e alta complexidade como cirurgias gerais, ortopédicas, neurocirurgias, microcirurgia, plástica, tratamento oncológico e transplantes renais e hepáticos. O atendimento é referenciado e destinado a pacientes de zero a 19 anos. O hospital tem a gestão da Rede D’Or São Luiz, por meio do Instituto D’Or de Gestão de Saúde Pública. Está posicionado entre os dez hospitais públicos de excelência do país, tendo recebido certificação nível 3, o mais alto da categoria, da Organização Nacional de Acreditação – confirmando a segurança e a qualidade do atendimento.

 

Sinais e sintomas de alerta do câncer infantil:

Dores de cabeça e vômitos pela manhã;

Caroços no pescoço, nas axilas e na virilha, ínguas que não resolvem;

Dores nas pernas e nas articulações que não passam e atrapalham as atividades da criança;

Manchas arroxeadas na pele, como hematomas ou pintinhas vermelhas (petéquias);

Aumento de tamanho de barriga;

Febre prolongada;

Perda de peso;

Palidez inexplicada (anemia) e prostração;

Brilho branco em um ou nos dois olhos quando a criança sai em fotografias com flash.

 

Principais tipos de câncer infantil:

Leucemia – É o câncer mais comum na infância. As leucemias têm origem na medula óssea, o tutano dos ossos, onde é normalmente produzido o sangue. Manifesta-se com dor nos ossos ou nas articulações, palidez, manchas roxas, sangramentos, febre, abatimento, entre outras. O diagnóstico das leucemias se faz através do mielograma, exame do sangue de dentro do osso. Existem vários tipos de leucemia: Leucemia Linfoide Aguda (LLA), Leucemia Mieloide Aguda (LMA), Leucemia Mieloide Crônica (LMC) e Leucemia Linfoide Crônica (LLC - só em adultos). As leucemias podem ter índices de cura de até 80% quando tratadas com quimioterapia. Em alguns casos, estão indicados também radioterapia e transplante de medula óssea.

 

Tumores do Sistema Nervoso Central – Os tumores do sistema nervoso central, cérebro e cerebelo são os tumores sólidos (que não leucemias e linfomas) mais frequentes em crianças. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça e vômitos pela manhã, tontura e perda do equilíbrio, alteração visual, entre outros. O diagnóstico do tipo exato de tumor é feito durante a cirurgia. Os tumores benignos são tratados apenas com cirurgia. Para os tumores malignos são, em geral, necessárias também quimioterapia e /ou radioterapia.

 

Linfomas – Os linfomas são tumores que acometem os gânglios e o baço (sistema linfático). Existem dois tipos principais de linfomas: Linfoma de Hodgkin e Linfoma Não Hodgkin. A maioria dos casos começa com adenomegalias ("ínguas" – aumento de volume dos gânglios) que vão crescendo no pescoço, nas axilas na região inguinal ou intra-abdominal. A criança pode apresentar febre prolongada, perda de peso, aumento do baço, entre outros. O diagnóstico dos Linfomas de uma forma geral é feito através de uma série de exames laboratoriais e de imagem, mas somente confirmado na maioria dos casos através da biópsia de um gânglio aumentado de tamanho. O tratamento é feito com quimioterapia e em alguns casos radioterapia.