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24/04/2017 - IDOR participa de maior estudo sobre o Transtorno do Déficit de Atenção


 
O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição muito comum que afeta cerca de 5% das crianças, e na maioria dos casos, os sintomas persistem na vida adulta. Ainda muito estigmatizado, o transtorno se manifesta como desatenção, agitação e impulsividade. No maior estudo já conduzido, médicos e cientistas de 23 centros de pesquisa ao redor do mundo observaram atraso no desenvolvimento do cérebro dos pacientes com TDAH.
 

Para o Dr. Paulo Mattos, representante brasileiro do único centro de pesquisa da América Latina do estudo, o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino no Rio de Janeiro, “esses achados são importantes para médicos e pais, pois demonstram claramente que o TDAH não é “uma doença inventada” nem meramente um “rótulo” para crianças difíceis, e não se deve a falhas na educação pelos pais”.

 
Até então, estudos anteriores também haviam identificado algumas alterações, mas devido ao pequeno número de pacientes estudados, era difícil generalizar os resultados. Mais ainda, devido a diferentes metodologias, grupos de pesquisa ao redor do mundo obtinham resultados distintos. 

 
Neste estudo, mais de 3 mil pessoas (pacientes com TDAH e indivíduos saudáveis) entre 4 e 63 anos, foram submetidos a exames de neuroimagem estrutural por Ressonância Magnética, técnica que permite estudar com precisão a estrutura do cérebro. Em seguida, cada região cerebral foi avaliada através de um mesmo protocolo padronizado de análise em todos os diferentes centros, obtendo-se informações específicas, como o tamanho e volume de cada região. Desse modo, os pesquisadores puderam comparar cada uma das estruturas cerebrais de indivíduos com e sem o transtorno.


Os resultados revelaram que estruturas como a amígdala cerebral, acúmbens e hipocampo, responsáveis pela regulação das emoções, motivação e o chamado sistema de recompensa (que modifica nosso comportamento através de recompensas) são menores nos pacientes com TDAH. Quando se levou em conta a idade dos pacientes, observou-se que estas alterações são mais leves em pacientes adultos, o que sugere que existe uma compensação, ao menos parcial, com o passar dos anos. Esses resultados são a sustentação mais sólida até o momento que o TDAH é um transtorno relacionado ao atraso na maturação de regiões cerebrais reguladoras das emoções, pois essas estruturas estão menos desenvolvidas, principalmente nas crianças.
 

Outro achado muito importante foi destacado no estudo: tais alterações não se devem ao uso de medicamentos para tratamento do TDAH e nem à presença de outros problemas que podem surgir associados ao transtorno, como ansiedade e depressão.


“É preciso deixar claro que o TDAH é um transtorno do desenvolvimento associado a alterações no nosso cérebro, e que precisa perder o estigma e ser tratado de modo apropriado”, completa Dr. Paulo Mattos, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Para acessar a página da revista científica The Lancet Psychiatry e o artigo, clique em: http://www.thelancet.com/pdfs/journals/lanpsy/PIIS2215-0366(17)30049-4.pdf 
 
 
Confira vídeo com o Dr. Paulo Mattos sobre o assunto: