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12/07/2016 - Neurofeedback e o tratamento para pacientes que sofreram AVC


 

 Por: Theo Marins*

 

Graças aos avanços tecnológicos dos últimos anos, hoje é possível que controlemos nossa própria atividade cerebral. Isso é possível através do neurofeedback, uma técnica que permite que, através de ferramentas de neuroimagem, um computador “leia” a atividade cerebral de um paciente e o informe de volta em tempo real. Dessa maneira, neurocientistas de todo o mundo vêm desenvolvendo estudos que mostram que quando um paciente recebe um neurofeedback, ou seja, quando é informado sobre a própria atividade cerebral, ele consegue modifica-la.

 

Sabe-se que doenças neurológicas ou psiquiátricas como depressão, TDAH, entre outras, são causadas por um mau funcionamento de regiões cerebrais. Com o neurofeedback, é possível que o paciente aprenda a controlar e normalizar a atividade cerebral que está alterada pela doença, e consequentemente, atenuar ou extinguir os sintomas da doença. O mesmo se aplica ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como Derrame.

 

Após um AVC, é grande a quantidade de pacientes que apresentam problemas de movimento, como andar e escrever, exatamente ocasionado por um mau funcionamento do cérebro. Sendo assim, o neurofeedback pode ser uma ferramenta importante para tratar pacientes que sofreram AVC.

 

Antes de aplicarmos o neurofeedback em pacientes, é preciso entender melhor sua ação em voluntários saudáveis. Na pesquisa que estamos desenvolvendo no IDOR, que faz parte da minha tese de doutorado na UFRJ, estamos aplicando o neurofeedback em voluntários saudáveis para entender se eles são capazes de controlar a própria atividade de regiões cerebrais responsáveis pelo movimento da mão. Além disso, queremos saber se ao adquirirem controle dessas regiões cerebrais, os voluntários também irão aumentar a eficiência de alguns movimentos da mão. Em outras palavras, aprender a controlar a atividade de regiões cerebrais responsáveis pelo movimento da mão faz com que uma pessoa realize melhor movimentos da mão?

 

Caso a gente confirme que, utilizando o neurofeedback, é possível aumentar a atividade de regiões cerebrais responsáveis pelo movimento e que isso tem impacto positivo sobre o movimento da mão, teremos fortes indícios de que pacientes que sofreram AVC também poderão ser beneficiados desta técnica. Em uma fase posterior do estudo, iremos aplicar o neurofeedback em pacientes que sofreram AVC e observar se esta técnica contribui para a recuperação de movimentos.


*Graduado em Biomedicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2012, obteve seu título de mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas no Instituto de Ciências Biomédicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB / UFRJ) em 2014. Atualmente, é aluno de doutorado pela mesma Instituição (ICB/UFRJ). As linhas de pesquisa em que atua contemplam temas como neurofeedback, neuroplasticidade, reabilitação motora, neurofisiologia, neuroanatomia e neuroimagem. Atua em projetos que utilizam técnicas de Ressonância Magnética (RM) para a investigação de neuroplasticidade em humanos saudáveis e em doenças como Acidente Vascular Encefálico (AVE), tumores e malformações, sob orientação das professores Fernanda Tovar e Jorge Moll.