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30/10/2017 - Arte no Hospital


 

Arte no hospital

Inaugurado em 2016, o CopaStar, no Rio de Janeiro, propõe um novo olhar para o cuidado assistencial: a participação das artes plásticas.

Como agente coadjuvante no dia a dia de uma instituição de saúde, a arte atua como um escape, uma forma de esquecer os problemas e viajar para um universo paralelo, algo subjetivo e que impacta o espectador. No CopaStar, esse ambiente artístico, que mistura galeria de arte com assistência a saúde, está presente logo no hall de entrada, com a obra “Espaço Eternidade 2016”, um painel de 25 metros criado pelo artista Yutaka Toyota.

“Qualquer questão relacionada à saúde fragiliza as pessoas. O papel da Rede D’Or São Luiz é oferecer, não apenas o tratamento da doença, mas também conforto e bem-estar. Arte é uma das formas de fazer isso”, afirma Jorge Moll Filho, fundador e presidente do conselho da organização, que possui mais de 35 hospitais pelo Brasil, entre eles o CopaStar.

Para Toyota, produzir uma obra de arte para um hospital é sempre marcante. “Principalmente quando ela provoca uma sensação de bem-estar para o espectador. Fico feliz quando uma pessoa observa meu trabalho no hospital. Significa que esse espectador, em algum momento, esqueceu da dificuldade que está sofrendo e parou para apreciar a obra de arte. Consigo proporcionar alguns minutos de tranquilidade para essas pessoas.”

O artista possui mais de 200 trabalhos expostos nos hospitais da Rede D’Or São Luiz, entre eles o recém-inaugurado São Luiz – São Caetano, na Grande São Paulo. Esculturas de Toyota também estão presentes em áreas externas de hospitais no Japão.

ARTE E MEDICINA

Não é de hoje que a arte está presente em meio a bisturis e estetoscópios. Leonardo da Vinci, sempre em busca da perfeição, dissecava corpos para entender cada detalhe da anatomia e compor seus trabalhos artísticos com o máximo de primor e precisão.¹

Atualmente, seja em hospitais ou em espaços dedicados a pacientes em recuperação, o universo da arte vem ganhando espaço no ambiente da saúde. Diversos médicos já aprofundaram o assunto e publicaram estudos sobre o impacto da arte no cuidado.

Um estudo de 2011 da Universidade Católica de Roma, com 14 pessoas com a doença de Alzheimer², comprovou que a frequência de sintomas como ansiedade e irritabilidade pôde ser reduzida em 20% após os pacientes darem um passeio pela pinacoteca da instituição.

Em outra pesquisa, dessa vez do Ankara Numune Education and Research Hospital, foi identificada a diminuição dos hormônios do estresse e níveis de ansiedade em 100 pacientes com câncer durante tratamento de quimioterapia³. Eles participavam de aulas de pintura no próprio hospital e, alguns pacientes, faziam questão de participar das aulas mesmo que não houvesse tratamento agendado para aquele dia.

Jorge Moll, que também é médico, explica que as obras do CopaStar foram previstas para as áreas comuns, especialmente recepções e salas de espera. “É importante que o ambiente de recuperação seja agradável e especialmente pensado para a melhor experiência do paciente e seus acompanhantes”, completa.

 

VISÃO DO ARTISTA

De acordo com Yutaka Toyota, os espaços dos hospitais favorecem o artista devido à sua amplitude e às áreas externas com bastante espaço. “Normalmente idealizo tudo dentro do ateliê, entretanto, por mais que seja um espaço amplo, nunca tem a amplitude das áreas hospitalares. Quando visualizo a obra no espaço físico fico muito feliz; a arte consegue absorver todo o ambiente ao redor. Isso é a obra de grande dimensão, tudo fica conectado.”

O artista explica que a execução da obra nem sempre é feita totalmente no ateliê. Muitas vezes, o desenho é enviado para a indústria metalúrgica produzir a peça, dependendo do tipo de acabamento e do trabalho que precisa ser feito. “Em outras oportunidades nem conseguimos montar a obra no ateliê, então a montagem final acaba sendo no espaço onde a obra ficará exposta. Por isso é uma surpresa para mim quando vejo o resultado final”, explica.

 

Referências

1. KICKHÖFEL, Eduardo Henrique Peiruque. A ciência visual de Leonardo da Vinci: notas para uma interpretação de seus estudos anatômicos. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662011000200005>. Acesso em: 19 out. 2017.

2. UNIVERSIDADE CATÓLICA DE ROMA. Obras de arte têm efeito positivo em pacientes com Alzheimer. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/990644-obras-de-arte-tem-efeito-positivo-em-pacientes-com-alzheimer.shtml>. Acesso em: 19 out. 2017.

 3. ANKARA NUMUNE EDUCATION AND RESEARCH HOSPITAL. Art has magic power in chemotherapy patients. Disponível em: <http://www.hurriyetdailynews.com/art-has-magic-power-in-chemotherapy-patients.aspx?pageID=238&nID=17645&NewsCatID=373>. Acesso em: 19 out. 2017.