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26/09/2017 - Os desafios da Sepse


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Juliana de Almeida Sarubbi, intensivista do Hospital Rios D’Or e gerente do protocolo de sepse da unidade. É titulada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e possui especialização em Anestesiologia.

 

A sepse é uma das doenças que mais mata no mundo, e cada vez mais temos aumento em sua incidência. Tal aumento exige a adoção de medidas urgentes para seu enfrentamento em decorrência das implicações que traz para os pacientes, no âmbito individual, e para a saúde pública, do ponto de vista coletivo.

 

O crescimento da população idosa e do número de pacientes imunossuprimidos ou portadores de doenças crônicas está entre os fatores que facilitam o desenvolvimento e infecções graves (1). Esse grupo merece cuidados especiais, pois constitui um contingente mais vulnerável às complicações decorrentes desse agravo. Além disso, há aspectos que não podem ser ignorados, como a maior resistência de microrganismos e a falta de infraestrutura de atendimento em prontos-socorros e hospitais, o que facilita sua disseminação.

 

Estimativas indicam a existência de aproximadamente 600 mil novos casos de sepse a cada ano no Brasil (2). Esse cenário tem impacto direto nos indicadores de morbimortalidade, sendo as consequências da sepse responsáveis pelas causas de 16,5% dos atestados de óbito emitidos, ou seja, em torno de 250 mil casos. Trata-se de um grave desafio para a saúde pública, sem contar o aumento exponencial dos gastos.

 

A Recomendação 6/2014 do Conselho Federal de Medicina (CFM) vem reforçar o alerta em todos os níveis de atendimento à saúde (unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento, serviços de urgência e emergência, unidades de internação regulares e unidades de terapia intensiva) para que todos estabeleçam protocolos assistenciais para o reconhecimento precoce e o tratamento da sepse. A diretriz também convida todos os médicos a se capacitarem para o reconhecimento dos sinais de gravidade em pacientes com sepse, de modo a encaminhá-los para o diagnóstico e tratamento adequados, e exige das instâncias governamentais a promoção de campanhas de conscientização sobre a sepse junto ao público leigo, a capacitação de profissionais de saúde e a melhoria da infraestrutura para o atendimento, entre outras ações. Assim, o esforço para que o cenário da sepse no Brasil se altere ganha reforços em diferentes áreas:

 • no campo da ciência, pela oferta de conhecimento sobre essa doença e suas consequências;

 • na esfera política, pela cobrança de medidas do governo proporcionais à gravidade do cenário descrito;

 • e do ponto de vista individual, pela busca do engajamento de profissionais, instituições de saúde e mesmo leigos no que diz respeito à percepção sobre a gravidade da sepse e a importância fundamental de sua detecção logo aos primeiros sinais, o que pode ser a diferença entre a vida e a morte, a saúde e a doença.

 

Mas, para que tudo isso caminhe em direção aos melhores resultados, precisamos estabelecer a cultura da prevenção, identificação e tratamento precoces, englobando medidas preventivas e a inclusão da possibilidade do diagnóstico em todo paciente que examinamos, e, com isso, a instalação do tratamento no menor tempo possível. Só atingiremos os tão almejados resultados começando pelo básico: treinamento, instrução e capacitação dos profissionais de saúde em todas as áreas, para que esses sejam replicadores e gerem mais replicadores.

 

A campanha de 2017 do Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas) traz o alerta: “Pense: Pode ser sepse?”, que resume o foco principal de abordagem a essa entidade (3). Pensando no diagnóstico, eu investigo a tempo, e, investigando a tempo eu viabilizo, o tratamento e a maior possibilidade de cura, sem maiores repercussões a médio e longo prazos para o paciente.

 

Os gerentes dos protocolos de sepse dos hospitais da Rede D’Or São Luiz estão em constante treinamento, reciclagem e capacitação de replicadores para deixar marcado na história desse vilão que ainda mata ou incapacita milhões de pacientes.

 

E você, já pensou em sepse hoje?

 

Referências

 1. MERVYN SINGER, MD, FRCP1; Clifford S. Deutschman, MD, MS2; Christopher Warren Seymour, MD, MSc3; et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA 2016.

 

2. INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE SEPSE. SEPSE: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA. 2016. Disponível em: <http://www.ilas.org.br/assets/arquivos/ferramentas/livro-sepse-um-problema-de-saude-publica-cfm-ilas.pdf>. Acesso em: 19 set. 2017.

 

 

3. INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE SEPSE. ILAS. Disponível em: <http://www.ilas.org.br/>. Acesso em: 19 set. 2017.