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22/03/2017 - Distinção no atendimento e tratamento do AVC


 

 

Pedro Varanda1, Sandra Portella2,

1.  Médico, Coordenador do Programa de Stroke e Rotina da Unidade Neurointensiva do Hospital Quinta D’Or (Rio de Janeiro-RJ).

2. Enfermeira, Supervisora da Qualidade do Hospital Quinta D’Or (Rio de Janeiro-RJ).

 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é, de acordo com dados da OMS, a segunda maior causa de morte do mundo com 6,7 milhões de óbitos/ano, ficando somente atrás da doença cardíaca isquêmica. A maioria dos casos estão relacionados ao AVC isquêmico (85%) contra 15% do AVC hemorrágico. Além da alta incidência, o AVC traz grande morbi-mortalidade. Quase 70% das pessoas que tiveram AVC terão sequelas futuras, impactando nas suas atividades diárias e consequentemente em sua autonomia.1,5  

 

A educação da população voltada para o AVC ainda é muito deficiente, apesar de

novas campanhas mundiais coordenadas principalmente pela World Stroke Organization e, no Brasil, pela Sociedade Brasileira de Doença Cerebrovascular e Rede Brasil AVC. Apesar dos esforços, a grande maioria das pessoas não tem referência adequada de como agir quando há um déficit neurológico súbito.

 

Desde 2008, com a publicação do estudo ECASS III, a janela terapêutica para trombólise venosa no AVC isquêmico agudo passou de 3 horas para 4,5 horas. Novos estudos publicados recentemente (MR CLEAN, EXTEND-IA, ESCAPE, SWIFT-PRIME E REVASCAT)2,3  mostram a eficiência e segurança em relação à trombectomia mecânica em até 6h após o início do evento, em casos selecionados. Mesmo assim, pela falta de conhecimento da população e dificuldades logísticas, a chegada do paciente ao hospital de referência com a janela terapêutica adequada ainda é uma tarefa difícil.

 

Poucos hospitais no Brasil são capacitados para realizar esses procedimentos. Pelo

mapeamento mais recente, somente 124 centros oferecem o cuidado mandatório (Nivel IA de evidencia) para o tratamento de trombólise endovenosa na fase aguda do AVC isquêmico. A grande maioria desses centros se encontram na região Sul e Sudeste do Brasil7.

 

Devido a tais constatações, desde 2012, o Hospital Quinta D’Or, situado no Rio de Janeiro, iniciou o processo de Acreditação na linha de cuidados do AVC. O projeto consiste no cuidado do paciente desde a entrada no hospital até o momento de alta hospitalar e com posterior encaminhamento para o ambulatório de reabilitação, na própria unidade. O Hospital conta com toda tecnologia e equipe multidisciplinar necessária para que esse fluxo ocorra de maneira coesa e eficiente.

 

A chegada do paciente com déficit neurológico agudo faz com que o enfermeiro

observador acione de imediato o emergencista. Após avaliação clínica, o médico acionará o neurologista para avaliação do especialista nessa situação. Através de referências internacionais, foi estabelecido tempos contratados para o atendimento mais ágil como chegada do neurologista em 5 minutos, tempo porta-tomografia computadorizada (porta-TC) de 20 minutos, tempo porta-agulha de 60 minutos. Para que todos esses tempos sejam cumpridos, foram implantadas mudanças no fluxo de atendimento ao paciente com déficit neurológico agudo.

 

Após o atendimento no serviço de emergência e acompanhamento do neurologista, o

paciente é transferido para Unidade neurointensiva, onde será realizada a investigação etiológica e início precoce da reabilitação com a equipe de fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional. Com a melhora clínica e a segurança adequada para sair da terapia intensiva, o paciente é encaminhado para o quarto. Desde 2013, dispomos de uma unidade de internação especializada para esse tipo de paciente e com atendimento de equipe multiprofissional qualificada.

 

Cumprindo a etapa hospitalar, o paciente recebe alta com as devidas orientações e

esclarecimento de dúvidas, sendo encaminhado para o Centro de Reabilitação, planejado e construído para o recebimento de pacientes com sequelas de AVC.

No dia 16 de fevereiro de 2017, o Hospital Quinta D’Or foi recertificado na Distinção no

Tratamento do AVC pelo Accreditation Canada, confirmando a excelência e qualidade nesta linha de cuidados.

 

É notório que ainda existe muito a melhorar na educação da população sobre o AVC.

As campanhas mundiais já preconizam que o tempo da saída do paciente de casa até o início da infusão da medicação no ambiente hospitalar seja de 60 minutos7, e tais iniciativas só demonstram a importância da velocidade no atendimento para se evitar sequelas e garantir a qualidade de vida após estes eventos.

 

Referências

 

1 Goyal M, Demchuk AM, Menon BK, Eesa M, Rempel JL, Thornton J, et al. Randomized assessment of rapid endovascular treatment of ischemic stroke. N Engl J Med. 2015;372(11):1019-30. doi:10.1056/NEJMoa1414905

 

2 Campbell BCV V, Hill MD, Rubiera M, Menon BK, Demchuk A, Donnan GA et al. Safety and efficacy of solitaire stent thrombectomy: individual patient data meta-analysis of randomized trials. Stroke. 2016;47(3):798-806. doi:10.1161/STROKEAHA.115.012360.

 

3 Berkhemer OA, Fransen PSS, Beumer D, Berg LA, Lingsma HF, Yoo AJ, et al. A randomized trial of intraarterial treatment for acute ischemic stroke. N Engl J Med. 2014;372(1):11-20. doi:10.1056/NEJMoa1411587

 

4 Goyal M, Menon BK, Zwam WH, Dippel DWJ, Mitchell PJ, Demchuk AM et al. Endovascular thrombectomy after large-vessel ischaemic stroke: a meta-analysis of individual patient data from five randomised trials. Lancet. 2016;387(10029):1723-31. doi:10.1016/S0140-6736(16)00163-X

 

5 Pontes-Neto et al. Brazilian guidelines for endovascular treatment of patients with acute ischemic stroke. Arq Neuropsiquiatr 2017.

 

6 Saver et al. Time to Treatment With Endovascular Thrombectomy and Outcomes From Ischemic Stroke: A Meta-analysis. JAMA 2016.

 

 

7 AVC Brasil: Hospitais com atendimento especializado em AVC. 2017. Disponível em: <https://pt.batchgeo.com/map/99872b5a9ecfafdc26f5fc2ef137fb85>. Acesso em: 8 mar. 2017.