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08/10/2018 - Surto de Sarampo


 

Flávia Velger Cohen 
Formada pela Universidade Estácio de Sá em 2003. Residência médica em Infectologia no Hospital dos Servidores do Estado. Funcionária do Ministério da Saúde - Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras desde fevereiro. 
Médica Coordenadora do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Quinta D’Or desde 2013 porém atuante no serviço desde janeiro de 2006.
Coordenadora Regional (RJ) do Serviço de Controle de Infecção da Rede D’Or desde janeiro de 2018.
 
 
Conforme nota técnica publicada pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) , o Sarampo é uma doença infecciosa grave, extremamente contagiosa, que pode evoluir com complicações e óbito. A doença foi eliminada das Américas em 2016, mas ainda é um problema de saúde pública, principalmente em continentes em que é endêmica e causa de surtos frequentes, como na Europa e na Ásia.
 
 
Cenários como o descrito acima exigem manutenção de altas e homogêneas coberturas vacinais e constante vigilância epidemiológica, mesmo em países onde não há mais circulação do vírus.
Nos últimos 18 anos foram registrados surtos de sarampo no Brasil. Em 2013 e 2014, ocorreram surtos nos Estado de Pernambuco e Ceará, sendo que este registrou 211 casos. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo, conforme informação publicada pelo Ministério da Saúde , fruto de ações de vigilância, laboratório e imunizações.
Desde então, o país não registrava nenhum caso, até que em janeiro de 2018, casos importados da Venezuela deflagraram importantes surtos em Roraima e no Amazonas, onde a cobertura vacinal estava bem abaixo dos necessários 95% , registra relatório publicado pela SBIM.
Em ambos os Estados, a maior taxa de incidência da doença está concentrada entre crianças de seis meses a quatro anos. Outros casos foram registrados no Rio Grande do Sul, em São Paulo, Mato Grosso e Rio de Janeiro.

 
De acordo com a presidente da SBIM, Isabella Ballalai, “a presença do vírus em nosso território reforça a necessidade de esforços no sentido da vigilância epidemiológica ativa (notificação de casos suspeitos idealmente em 24 horas, investigação ágil, adequada coleta e envio das amostras), do bloqueio através da imunização e de ações para a homogeneização das coberturas entre crianças, adolescentes e adultos.”
A sustentabilidade da eliminação do sarampo, da rubéola e síndrome da rubéola congênita requer o compromisso de todos: médicos, outros profissionais da saúde, sistemas de vigilância epidemiológica, adequada rede de diagnóstico laboratorial e de programas de vacinação em níveis federal, estadual e municipal.


O Sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, potencialmente grave, transmissível, extremamente contagiosa e bastante comum na infância, é transmitido por meio de secreções nasofaríngeas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Por isso, a elevada contagiosidade da doença. Também tem sido descrito o contágio por dispersão de aerossóis com partículas virais no ar em ambientes fechados, como escolas, creches e clínicas.
Período de transmissibilidade:
Inicia-se de 4 a 6 dias antes do exantema e dura até 4 dias após seu aparecimento. O período de maior transmissibilidade ocorre entre os 2 dias antes e os 2 dias após o início do exantema. O vírus vacinal não é transmissível.
 
Definição de caso Suspeito:
Indivíduo que, independentemente da idade e da situação vacinal, apresente:
• Febre e exantema maculopapular acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: Tosse e/ou Coriza e/ou Conjuntivite;
• Ou todo indivíduo suspeito com histórico de viagem ao exterior nos últimos 30 dias, ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou ao exterior.
 
Diagnóstico diferencial:
O diagnóstico diferencial do sarampo deve ser realizado para as doenças exantemáticas febris agudas, entre as quais se destacam: rubéola, exantema súbito (Roséola Infantum), dengue, enteroviroses, eritema infeccioso (Parvovírus B19), febre de Chikungunya, Zika vírus e riquetsiose.
 
Tratamento:
Não há tratamento específico para a infecção por sarampo. 
 
Bloqueio Vacinal:
A vacinação de bloqueio é uma atividade prevista pelo sistema de vigilância epidemiológica em conjunto com a equipe de imunizações, sendo executada quando há ocorrência de um ou mais casos suspeitos da doença. 
Deve ser realizada no prazo máximo de até 72 horas após a notificação do caso, a fim de interromper a cadeia de transmissão e, consequentemente, eliminar os suscetíveis no menor tempo possível.   
 
O bloqueio vacinal é seletivo e a vacina tríplice viral ou tetraviral são administradas conforme a situação vacinal dos contatos do caso, como descrito a seguir:
• Contatos a partir de 6 meses até 11 meses e 29 dias: devem receber uma dose da vacina tríplice viral. Essa dose não será válida para a rotina de vacinação, devendo-se agendar a dose 1 de tríplice para os 12 meses de idade e a dose de tetraviral para os 15 meses de idade;
• Contatos a partir dos 12 meses de idade até 49 anos devem ser vacinados conforme as indicações do Calendário Nacional de Vacinação;
• Contatos acima de 50 anos que não comprovarem o recebimento de nenhuma dose de vacina com componente sarampo devem receber uma dose de vacina tríplice viral.
 
COMO VACINAR: 
QUEM VACINAR SELETIVAMENTE:
6 a 11 meses – 1 dose (não válida para o calendário);
De 1 a 29 anos – nenhuma, 1 ou 2 doses;
De 30 em diante - nenhuma ou 1 dose.
PRAZO OPORTUNO: até 72 horas.

Vacinação na rotina:
NUNCA VACINADOS, COMO INDICAR A VACINAR:
Crianças de 1 a 4 anos: 2 doses;
de 05 a 29 anos: 2 doses;
de 30 a 49 anos: 1 dose;
Profissionais da saúde (ativos): 2 doses, independentemente da idade.

• Indivíduos não vacinados:
a. Na faixa etária até 29 anos: receberão a 1a dose de tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) e 2ª dose após 30 dias de intervalo;
b. Na faixa etária de 30 a 49 anos: receberão 1 dose da vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba);
c. Profissionais de saúde: devem ter 02 doses de tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses, independentemente da idade.
 
ATENÇÃO: a vacina está contraindicada para gestantes e imunodeprimidos.
 
Todo caso suspeito de sarampo deverá ser notificado em até 24 horas. Segundo a PORTARIA No - 204, de 17 de fevereiro de 2016, do Ministério da Saúde Brasileiro, o sarampo é uma doença de notificação obrigatória, ou seja, incluso na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território nacional

 
 
Referências:
1. BALLALAI, I.; MICHELIN, L.; KFOURI, R. Sarampo: Diagnóstico, notificação e prevenção. SBIM: 2017.
2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de Vigilância em Saúde. Vol. Único. Brasília – DF: 2016. 
3. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro; Secretaria Municipal de Saúde; Subsecretaria de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde; Coordenação de área programática 5.1 - divisão de vigilância em saúde. Orientações para Notificação / Investigação de casos suspeitos de Sarampo (CID 10: B05). Rio Saúde.