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31/07/2018 - Maratona para juntar ciência e sociedade


 

 
Por Catarina Chagas*
 
 
A ciência contribui, em grande parte, para a saúde das populações. Mas nem todo mundo sabe disso! Para cada medicamento ou vacina que chega aos hospitais e postos de saúde, anos de pesquisa e desenvolvimento foram necessários. Porém, de uma maneira geral, quem consome esses produtos reflete pouco sobre o papel da ciência por trás deles. E a criação de novos fármacos é apenas uma das muitas formas como a pesquisa científica contribui para a saúde pública.
 
 
Aproximar ciência e sociedade foi o objetivo do Primeiro Hackaton da Divulgação Científica em Saúde, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de sua Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação, e pelo Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia, com a colaboração do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, do Museu da Vida e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O evento, que aconteceu nos dias 4 e 5 de junho no campus da Fiocruz no Rio de Janeiro, reuniu cerca de 30 profissionais, entre cientistas, jornalistas, artistas e outros para um desafio de comunicação da ciência. O objetivo era traçar estratégias para mostrar à sociedade que a ciência contribui para a saúde e outros aspectos da qualidade de vida.
 
 
Tradicionalmente, um hackaton – versão abrasileirada da palavra hackathon, que junta os termos to hack (fatiar, quebrar) e marathon (maratona) – envolve o desenvolvimento de soluções de programação computacional para dado problema. Nessa versão, porém, as soluções propostas não necessariamente precisavam ter caráter tecnológico: foram apresentados projetos como jogos, eventos e até um campeonato de futebol que tinha como proposta promover a interação entre cientistas e meninos provenientes de uma comunidade carente.
 
 
Desde 2014, o Laboratório de Inovação do BID vem promovendo hackatons semelhantes em países da América Latina, como México e Chile, sempre com um tema diferente dentro da área de divulgação científica. Realizado pela primeira vez no Brasil este ano, o evento, valorizando o interesse comum entre Fiocruz e Instituto D’Or, abordou temas de saúde.

Bate-papo sobre a prática da divulgação científica
 
O Hackaton começou com um bate-papo sobre divulgação científica com três pessoas de marcante atuação na área: o físico e historiador da ciência Ildeu de Castro Moreira, atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência; o neurocientista Stevens Rehen, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Instituto D’Or; e a jornalista especializada em ciência Carla Almeida, pesquisadora da Fiocruz. Os três falaram sobre aspectos, como a importância de inserir a ciência como parte da cultura e o caráter político da divulgação científica.
 
 
Rehen comentou, ainda, como se envolver em atividades de divulgação científica também trouxe benefícios para sua carreira de pesquisador, por exemplo, abrindo oportunidades de parcerias importantes. Segundo ele, a visibilidade obtida junto à imprensa e em eventos de divulgação também ajudou a atrair o interesse de investidores para suas pesquisas.
 
 
Os três participantes concordaram que é necessário pensar novas formas de comunicar a ciência para o público e destacaram a importância de iniciativas como o Hackaton da Divulgação Científica em Saúde nesse processo. Em seguida, sete profissionais de diferentes áreas compartilharam suas experiências práticas de divulgação científica, incluindo exemplos de jogos eletrônicos, peças de teatro, publicações em redes sociais, livros virtuais, infográficos, eventos itinerantes e espetáculos artísticos.

Mãos à obra
 
Depois das provocações e reflexões iniciais, chegou a hora de os participantes do Hackaton colocarem a mão na massa. Cada um dos selecionados apresentou, em apenas um minuto, uma ideia de iniciativa de divulgação científica em saúde. Os próprios participantes votaram para eleger as seis melhores ideias e formaram grupos para trabalhar nelas.
O trabalho em grupos foi guiado pela metodologia do design thinking, uma forma estruturada de analisar problemas e possíveis soluções, baseada na criatividade e na empatia. Para isso, o evento contou com a orientação do engenheiro colombiano Mauricio Garcia, diretor local da Opinno Ideas e especialista em inovação.
 
 
Foram dois dias intensos trabalhando questões, como público-alvo, sustentabilidade financeira, estratégias de comunicação e outros aspectos dos projetos. Por fim, os seis grupos apresentaram suas propostas diante de uma comissão avaliadora, que selecionou dois projetos vencedores.
 

Música e carona com ciência
 
Líder de um dos grupos ganhadores do Hackaton, a jornalista Renata Fontanetto, do Museu da Vida, propôs um programa de imersão de jovens rappers de comunidades carentes do entorno da Fiocruz no dia a dia da instituição de pesquisa. A ideia é que, depois de conviver com cientistas e outros profissionais da instituição, os jovens possam compor músicas inspiradas nas pesquisas em saúde ali desenvolvidas, de modo a transmitir essas informações a outros jovens de suas comunidades numa linguagem atraente para eles.
 
 
O outro grupo vencedor, liderado pelo microbiologista e professor da UFRJ Leandro Lobo, apresentou o projeto para o canal de vídeos online Carona com a Ciência, cuja proposta é entrevistar pesquisadores dentro de um carro em movimento. Assim, os idealizadores do programa esperam promover uma interação informal com os entrevistados, e o humor será uma das estratégias utilizadas para isso.
 
 
Cada um dos projetos vencedores receberá, da Fiocruz, um financiamento no valor de R$ 25 mil para a execução das propostas. 
 
 
 
* Jornalista, consultora de divulgação científica do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e uma das coordenadoras do Primeiro Hackaton da Divulgação Científica em Saúde