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05/12/2017 - Zika vírus: pesquisa do IDOR entre as mais mencionadas


 

Zika vírus: pesquisa do Idor entre as mais mencionadas

Pesquisadores brasileiros foram essenciais para o avanço dos estudos sobre o vírus no mundo. Conheça os avanços da pesquisa

 

O estudo sobre o vírus da Zika intituladoCongenital Brain Abnormalities and Zika Virus: What the Radiologist Can Expect to See Prenatally and Postnatally”,¹ publicado na revista Radiology, está entre os que mais causaram impacto e receberam atenção da comunidade médico-científica. Após pouco mais de um ano de sua publicação, é o mais citado do periódico e o 60o entre todos os artigos do mesmo período.2

 

A análise foi realizada pelo Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa – Idor em parceria com instituições nacionais e internacionais. Cerca de 10% das pesquisas brasileiras sobre o vírus em 2016 contou com a participação do IDOR.

 

Coordenado pela pesquisadora e vice-presidente do Idor, Fernanda Tovar-Moll, o estudo teve como diferencial a investigação de como o vírus afeta gravemente o desenvolvimento do cérebro e provoca uma série de danos que vão além da microcefalia.

 

Foram avaliados 45 recém-nascidos, além de fetos e gestantes. Para saber as áreas afetadas e as consequências resultantes do ataque do vírus da Zika, foram reunidas imagens de tomografia, ressonância e ultrassom, que mostraram alterações neurológicas no sistema nervoso central dos infectados.

 

Além da Radiology, esse estudo repercutiu em outras revistas científicas, como Science e Nature, e em veículos internacionais de prestígio, como The New York Times, The Guardian, entre outros.

 

 

 

Saiba mais sobre a pesquisa

 

Resumo do estudo – Congenital Brain Abnormalities and Zika Virus: What the Radiologist Can Expect to See Prenatally and Postnatally

 

O objetivo do estudo foi documentar as descobertas de imagens associadas à infecção congênita do vírus da Zika, conforme encontrado no Instituto de Pesquisa no Estado da Paraíba, onde a infecção congênita tem sido particularmente grave. O espectro de achados associados à infecção congênita do vírus da Zika pode auxiliar o radiologista na identificação da infecção pelo vírus na imagem.

 

De junho de 2015 a maio de 2016, 438 pacientes foram encaminhados para o Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto de Desenvolvimento, Fomento e Assistência a Pesquisa Científica e Extensão (IPESQ) por ocorrência de erupção cutânea durante a gravidez ou por suspeita de anormalidade fetal do sistema nervoso central. Os pacientes que foram submetidos à imagem no IPESQ foram incluídos, bem como aqueles com infecção por vírus da Zika documentada em fluido ou tecido (n = 17, coorte de infecção confirmada), ou aqueles com achados cerebrais suspeitos por infecção pelo vírus, com calcificações intracranianas (n = 28, coorte de infecção presumida). Os exames de imagem incluíram 12 ressonâncias magnéticas fetais, 42 tomografias cerebrais pós-parto e 11 ressonâncias magnéticas cerebrais pós-natal. As imagens foram revisadas por quatro radiologistas, com a opinião final alcançada por consenso.

 

Os resultados mostram que as anormalidades cerebrais observadas nas infecções congênitas confirmadas (n = 17) e presumidas (n = 28) foram semelhantes, com respectivamente:  ventriculomegalia em 16 de 17 (94%) e 27 de 28 (96%) infecções; anormalidades do corpo caloso em 16 de 17 (94%) e 22 de 28 (78%) infecções; e anormalidades da migração cortical em 16 de 17 (94%) e 28 de 28 (100%) infecções. Embora a maioria dos fetos tenha sido submetida a pelo menos um exame que mostrou a circunferência da cabeça abaixo do percentil 5, a circunferência da cabeça pode ser normal na presença de ventriculomegalia grave (observada em três fetos). As calcificações intracranianas foram mais comumente observadas na junção de matéria cinzenta-matéria branca, em 15 de 17 (88%) e 28 de 28 (100%) infecções confirmadas e presumidas, respectivamente. Os gânglios basais e/ou tálamo também foram comumente envolvidos com calcificações em 11 de 17 (65%) e 18 de 28 (64%) infecções, respectivamente. O crânio, frequentemente, tinha uma aparência colapsada com suturas sobrepostas e dobras redundantes da pele e, ocasionalmente, herniação intracraniana de gordura orbital e coágulo na confluência de seios.

 

 

Leia também:

Zika: metabolismo das células-tronco e outras descobertas

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Referências

1.    Soares de Oliveira-Szejnfeld P et al. Congenital Brain Abnormalities and Zika Virus: What the Radiologist Can Expect to See Prenatally and Postnatally. 2016. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27552432>. Acesso em: 27 nov. 2017.

 

2.    RADIOLOGICAL SOCIETY OF NORTH AMERICA. Congenital Brain Abnormalities and Zika Virus: What the Radiologist Can Expect to See Prenatally and Postnatally. 2017. Disponível em: <https://rsna.altmetric.com/details/10782204>. Acesso em: 28 nov. 2017.